Quarentena – como estou a lidar

Não, este post não é mais um sobre o que fazer durante a quarentena. Pelo contrário, é um desabafo de como me tenho sentido e do que realmente tenho feito (ou não). Penso que muitos de vocês se identificarão

Primeiro que tudo admito que já estava com imensas saudades de escrever. A verdade é que sentia que não tinha nada de útil para dizer. Não sei se o que vou escrever neste post vos vai ser útil, mas tendo em conta que vai ter um efeito terapeutico para mim, já vale a pena (risos).

Deixem-me contextualizar primeiro: a minha quarentena começou no dia 12 de março, depois de ter feito o meu exame de dinamarquês. Nessa altura já estávamos cheios de dúvidas se íamos ter sequer oportunidade de o fazer visto que algumas escolas já tinham encerrado. Aqui as escolas, na Dinamarca, encerraram oficialmente na sexta feira, dia 13 de março. 

Penso que, como a maioria do pessoal que está em casa e sem trabalho, olhei para esta quarentena como uma oportunidade de descansar a cabeça, pôr a casa em ordem e fazer coisas que queria fazer há muito tempo. 

Obviamente que não foi, de todo, assim.

Na sexta e no fim de semana foi tudo espetacular, o namorado trabalhou de casa, tivemos tempo para jogar, ver séries e filmes. Tal como sempre quis (risos). O problema começou precisamente no fim de semana, quando descobri que roubaram a minha bicicleta, o meu meio de transporte. Fiquei de rastos, escusado será dizer. 

Ao longo destes dias, tem crescido uma ansiedade que desabou, por completo, na quarta feira. Bem sei que é psicologico mas passo a explicar. Não tenho trabalho, porque eu tenho estado a fazer alguns turnos como host em eventos. Com esta quarentena obviamente que todos os eventos foram cancelados. Não tenho nenhum trabalho mais consistente e seguro porque, teoricamente, em março, íamos a Portugal tratar de assuntos.

Íamos. Não vamos. Lixei-me. 

Portanto, comecei a sentir uma ansiedade de não saber o que fazer, de querer que os dias sejam úteis e produtivos. Ansiedade de ver que existem pessoas a trabalhar em casa e a receber dinheiro e eu não, de já ter a casa em dia (demorou dois dias) e de eu (após ter posto o Youtube e a Netflix em dia) já não ter pachorra para ver mais filmes ou séries. Até dos jogos de computador (que tanto implorava ao meu homem para jogar comigo) comecei a enjoar.

A gota de água foi saber que há a possibilidade do meu homem ficar um mês – UM MÊS – fora de casa, a trabalhar. Paniquei. Se já é difícil lidar com estes dias com ele aqui, como vai ser, eu sozinha em casa, durante um mês?

O que faço agora?

Foi então que surgiu a ideia de escrever um “diário”. Deitar cá para fora o que se passa, ver que não é o fim de mundo. É uma fase e temos de tentar tirar partido dela, afinal tudo tem um lado positivo certo?

Vou-vos dizer o que tenho feito, até porque vocês podem ter boas ideias para eu me entreter, nunca se sabe. 

Tenho na cozinha várias plantas e nos últimos dias plantei várias sementes de maçã que já estavam a germinar (nunca vi tal coisa!). Ao todo, tenho um abacate a crescer e 3 macieiras a dar sinal de vida. Todas as manhãs vou lá dar água e apreciar a beleza destes pequenos seres (lamechas, mas real!).

Dedico a manhã a fazer o que há para fazer em casa: tratar da roupa, loiça, aspirar se necessário, arrumar a casa, despejar os lixos. À tarde costumo estudar um pouco de programação (Java), pois quero estar preparada para o curso que me candidatei (desejem-me sorte!). Se devia fazer exercício físico? Sim. Se quero ou tenho vontade? Não. 

A grande parte positiva é o facto de puder falar com a minha família sem preocupações de tempo. Partilhar o que se passa e o que não se passa. Jogar jogos parvos online, ou simplesmente queixar de que não apetece fazer nada. 

Ontem, dia 19 de março, fomos dar um passeio de 30 minutos num jardim aqui perto de casa. Soube pela vida. Nós não temos varanda, o que dificulta um pouco as coisas e eu detesto ir para a rua sozinha, sem um grande objetivo. Ir a Portugal foi pelo cano a baixo e ainda estamos na dúvida do que vai acontecer à nossa viagem que temos marcada para Itália no verão. Neste momento já me sinto melhor. Há que saber aceitar o que temos. Já encomendei livros para pintar, com o intuito de usar os desenhos depois para decorar a casa. Entretanto espero ganhar coragem para fazer algum exercício físico, pegar em macramé e estudar mais um pouco. Ocupar a mente com coisas criativas e estimulantes é mega importante. 

Digam-me o que andam a fazer. Não digam aquelas ideias que toda a gente diz. Digam-me realmente como se têm sentido, como têm lidado com esta quarentena e o que têm feito. Stay safe!

Um grande beijinho,

11 Replies to “Quarentena – como estou a lidar”

  1. Olá Sara!

    Que saudades de te ler.

    Em 32 anos nunca tinha vivido algo assim, porém, nem me tenho chateado muito aproveito para ler, para pôr a escrita em dia, para actualizar as redes sociais e pouco mais. Mas percebo que custe às pessoas que são mais activas.

    Beijinho grande!

    1. Eu adoro ler! Tenho imensos livros para ler que sei que vou adorar, mas falta vontade, não tenho o mindset para ler não entendo porquê…

      Beijinho! <3

      1. Estou a ler o último do João Tordo. Recomendo!

  2. Olá! Adoro a ideia de ter plantas para ver crescer, germinar, enfim, ver a vida acontecer de forma natural.
    Para tornar os meus dias mais produtivos, visto que mantenho o horário de trablho, comecei a fazer uma to do list com coisas que parecem simples (ir à rua 2x, comer 3 frutas, ler 30 páginas, etc.). São tudo coisas que faria na minha rotina normal e, estando em casa, fica esquecido. Tem sido uma grande ajuda. #staysafe

    1. Obrigada pela ideia!

  3. Toda esta situação dá connosco e doidos.
    Eu tenho me ocupado a ver ideias para o meu próprio blog. Tentar perceber os meus erros e como conseguir algo mais. Como sabes eu gostava que fosse o ponto de partida para algo maior.
    É dificil também não morar com quem amamos e não podermos ver nem estar com a pessoa.

    #StayTheFuckHome

    1. Espero que esteja a ser produtivo então! Qualquer ajuda que precises já sabes 🙂

      #stayhome

  4. […] puderam ler no primeiro post sobre a quarentena (quem não leu clicar aqui). É certo que não estava a lidar muito bem com a coisa (risos). Hoje, dia 23 de março à noite, […]

  5. Finalmente passei por aqui. Olá! Estou a ver que por aí as coisas “aqueceram” ao mesmo tempo que por cá.

    Eu estou no extremo oposto de ti. No meu caso, fechada em casa com um bebé, sinto que não tenho 5 minutos para mim. Tenho que estar constantemente a tratar dele, a fazer as tarefas necessárias e a entretê-lo alegremente. Acho que a parte mais difícil é que quando estamos assim, nós adultos não temos “tempo para lidar com os nossos próprios sentimentos”. Os dias começam muito cedo e parecem ser eternos, quando ele vai para a cama estou eu cansada. O tempo que sobra uso para fazer yoga/exercício e arrumar a casa.

    A nossa situação laboral também está complicada, e só digo isto numa de tentar animar-te. Podia ser pior, acredita! Lamento que não tenhas varanda, vivendo num país nórdico compreendo super bem o teu sentimento.

    Adoro as tuas plantas e identifico-me nas “lamechices” que partilhas com elas 🙂

    Boa sorte Sara, tudo de bom. Vais ver que as coisas vão ao lugar. Se calhar a viagem a Itália terás que cancelar, mas do mal o menos não é?

    E obrigada por este momento de leitura e honestidade.

    1. Olá! Tão bom ver-te por aqui ❤️ felizmente a coisa já melhorou! Se quiseres tens outro post. Espero que consigas encontrar um equilíbrio no meio deste caos! Um grande beijinho 😘

  6. […] me têm seguido por aqui, sabem que já tive duas fases diferentes quanto à quarentena, podem ler aqui e aqui. Mas verdade seja dita, nem tudo é mau e e eu sei que vocês também conseguem fazer uma […]

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